BLOG NG

Pelo químico 

JUNIOR DIEGO BECKER

   

Olá a todos

     É com enorme satisfação que venho escrever para o Blog da NG de France! Uma empresa franco-brasileira de cosméticos, focada no segmento capilar, cujos atributos estão alicerçados sobre as mais modernas tecnologias e, que vão de encontro com conceitos de extrema qualidade, preservação ambiental, proteção animal, produtos veganos e aromaterapia através dos óleos essenciais orgânicos (certificados internacionalmente pela Ecocert - França). 

     Após anos ministrando aulas, palestras, cursos e workshops para universitários, profissionais da área (farmacêuticos, químicos, cosmetólogos), cabeleireiros, esteticistas e tantos outros profissionais ligados ao segmento da beleza, é que eu decide escrever para este Blog semanalmente, com intuito de trazer a todos os profissionais e pessoas envolvidas, conhecimento técnico e inovações que vem ocorrendo mundo afora.

     Além disso, fica aberta mais uma forma de contato, para que possamos trocar experiencias e sanar dúvidas, ou qualquer outra questão relacionada a este tema. Espero poder somar e contribuir para o conhecimento profissional de todos, inclusive, de trazer algumas curiosidades químicas  e maneiras de se defender neste setor, que se sustenta praticamente sobre o marketing. 

grande abraço,

Junior Diego Becker, Químico

Perfil no linkedin (link)

18/11/2019 - FORMOL 

BRASIL – O CAMPEÃO MUNDIAL NO CONSUMO DO FORMOL

E eu pergunto: Até quando??? 

Já passou da hora de banirmos este produto químico tão prejudicial a saúde.

Infelizmente  o Brasil carrega no exterior este estigma de maior produtor de cosméticos capilares a base de formaldeído. Os conhecidos produtos “Brazilian Keratin” ganharam o mundo pela eficácia e simplicidade em prover cabelos lisos. Ainda hoje, inúmeras marcas nacionais utilizam deste produto químico como ativo ou coadjuvante nas escovas progressivas, e o pior, omitem e mentem que o produto é “formol free” ou “livre de formol”, enganando os profissionais cabeleireiros e a população em geral. 

Mas por que o formaldeído, já proibido no Brasil para fabricação de cosméticos, ainda é utilizado/consumido?

A resposta para esta pergunta é muito simples!!! 

É por causa do preço. O formaldeído custa para indústria cosmética cerca de R$4,00 o litro, sendo que, usualmente as escovas progressivas contém em torno de 20% da sua composição este insumo como ativo alisante. 

Realizando um cálculo simples, fica ainda mais claro! Ou seja, 1L de escova progressiva teria um custo deste ativo para o fabricante, em torno de R$0,80. Isso mesmo, apenas oitenta centavos!!! Então, aquela progressiva que alguns profissionais ou donos de salão de beleza compram pelo valor de R$99 a R$199, acreditando que estão fazendo uma grande economia, estão sendo trapaceados descaradamente, pois compram o produto mais barato do mercado, com custo total inferior a R$5,00, acreditando estarem realizando um excelente negócio. 

Pessoal, seguimos aquela pérola antiga e conhecida! Impossível comprar um automóvel importado com todas as opcionais de segurança, pelo preço de um veículo popular! Correto? Não parece óbvio isso?

Enquanto os ativos permitidos pela Anvisa e até mesmo por outros órgãos regulamentares de saúde, como a FDA dos Estados Unidos, tem um custo de, pelo menos, 10X  mais o valor do formol. Por isso que produtos cosméticos alisantes seguros para saúde, são mais caros. 

 

Mas então, o que é este tal de formaldeído e como ele pode afetar minha saúde?

O formaldeído é um gás incolor e com cheiro forte que apresenta risco à saúde se os trabalhadores forem expostos. Você pode ser exposto ao formaldeído se o inspirar para os pulmões (vapores/gases), se entrar em contato com os olhos ou se estiver contido em um produto que entra em contato com a pele. Você também pode ser exposto acidentalmente se tocar no rosto, comer ou beber depois de usar um produto contendo formaldeído sem antes lavar as mãos. Pode irritar os olhos e o nariz e causar tosse e chiado no peito. O formaldeído é um "sensibilizador", o que significa que pode causar reações alérgicas da pele, olhos e pulmões, como problemas respiratórios semelhantes à asma e erupções cutâneas e prurido. Quando o formaldeído está em um produto que é pulverizado nos olhos, ele pode danificá-los e causar cegueira. Também há um grande risco de câncer. O formaldeído é um risco para a saúde, seja em um produto ou no ar, seja para quem aplica ou em quem é aplicado. 

 

COMO SABER SE O PRODUTO QUE EU ESTOU USANDO ME EXPÕE AO FORMALDEÍDO?

Leia o rótulo do produto e peça a FISPQ (Ficha de Informações de Segurança de Produtos Químicos) para determinar se eles listam o formaldeído na composição do produto ou nos dados de segurança. 

Muitos produtos para alisar os cabelos à base de queratina contêm formaldeído dissolvido (e reagido quimicamente) em água e outros ingredientes no produto. Devido à maneira como o formaldeído reage a esses produtos, alguns fabricantes, importadores ou distribuidores podem listar outros nomes para formaldeído nas informações do produto ou podem alegar que o produto é "livre de formaldeído". O formaldeído pode ser listado como metileno glicol, formalina, óxido de metileno, paraformol, aldeído fórmico, metanal, oxometano, oximetileno ou número CAS 50-00-0. 

Também existem produtos químicos, como o ácido timonácico (também chamado ácido tiazolidinocarboxílico) que podem liberar formaldeído sob certas condições, como as presentes durante o processo de tratamento de alisamento capilar. A conclusão é que o formaldeído pode ser liberado a partir de produtos para alisar os cabelos que listam qualquer um desses nomes no rótulo e os trabalhadores podem inspirá-lo ou absorvê-lo pela pele. Os profissionais cabeleireiros podem ser expostos ao formaldeído durante todo o processo de alisamento dos cabelos, principalmente quando o calor é aplicado (por exemplo, secar com secador, chapinha, entre outros).

Esteja ciente de que uma FISPQ ou rótulo pode não conter todas as informações de perigo exigidas, como inicialmente encontrado no caso de produtos brasileiros, os mais famosos (negativamente) no mundo, por usarem formol em progressivas/alisantes.

Os primeiros relatos sobre formaldeído em produtos para alisamento de cabelo surgiram quando a Agência Americana investigou uma queixa de um cabeleireiro que tinha sangramentos nasais, irritação nos olhos e dificuldade em respirar enquanto usava um produto brasileiro chamado "sem formaldeído". Após testar o produto, a OSHA (Occupational Safety and Health Administration)  descobriu que o produto continha formaldeído. A OSHA (testou mais de 100 amostras de produtos para alisar os cabelos à base de queratina e encontrou níveis de formaldeído em alguns produtos bem acima do que legalmente poderia ser rotulado como "livre de formaldeído" e também não haviam listado formaldeído ou incluído informações de perigo no rótulo ou na FISPQ. 

 

Mas então como saber se o produto contém formaldeído?

Pelo cheiro e irritabilidade aos olhos. Claro, estou forçando um pouco a síntese e sendo o mais simplório possível. Mas o cheiro do formol é muito característico, forte e irritante. 

Se você utiliza um alisante e precisa de ventilação, máscara ou toalhas sobre o rosto, pode ter certeza que este produto contém formol.

Ainda, vocês podem acessar diretamente o site da Anvisa e verificar se o produto vendido como promotor de alisamento, esta Registrado no Ministério da Saúde! Lembrando que registro é Grau 2 e necessita que a indústria apresente a Anvisa todos os testes probatórios de eficácia e segurança, realizados por um laboratório terceirizado e creditado junto a Anvisa – Rede Reblas. 

Segue o link abaixo! Basta colocar o nome do produto ou CNPJ da empresa fabricante, ou ainda, o número de Registro do produto – que é obrigatório no rótulo.

https://consultas.anvisa.gov.br/#/cosmeticos/registrados/

Você pode ainda solicitar ao seu distribuidor, vendedor ou fabricante cópia dos relatórios técnicos do produto realizados por um laboratório credenciado a Rede Reblas ou, simplesmente pedir cópia do Registro do produto na Anvisa. 

 

Nos Estados Unidos!

Durante as investigações federais da OSHA, os testes aéreos mostraram formaldeído em níveis acima dos limites permitidos em praticamente 100% dos salões de beleza, a grande maioria eram produtos brasileiros, denominada "formaldehyde free", resultando em diversas violações federais.

A agência norte americada FDA – Food and Drug Administration está investigando perguntas e reclamações de proprietários de salões de beleza e profissionais cabeleireiros, sobre possível exposição ao formaldeído a partir de produtos para alisar os cabelos. Alguns desses produtos foram rotulados como "livres de formaldeído”. Várias agências estatais americanas já emitiram advertências sobre estes produtos para os proprietários de salão de beleza, hairstyles, cabeleireiros e outros trabalhadores de salões de beleza e clientes. 

O Instituto Nacional de Segurança e Saúde Ocupacional (NIOSH) também concluiu uma Avaliação de Riscos à Saúde para profissionais de salão que avaliaram os riscos decorrentes do uso de um produto específico para suavizar os cabelos. Além disso, a FDA emitiu uma carta de advertência aos importadores e distribuidores de marcas brasileiras (não vou citar os nomes pela questão de ética, mas vocês podem conferir no link abaixo)  identificando estes produtos como adulterados e com marca incorreta e, porque o rótulo faz declarações enganosas ("Formaldehyde Free" ou "No Formaldehyde"). Este alerta de perigo fornece informações atualizadas sobre as investigações da OSHA, os riscos para a saúde do formaldeído e como proteger os trabalhadores que usam produtos para alisar os cabelos que contêm ou liberam formaldeído.

As marcas foram desmascaradas através  dos testes de amostragem de ar em vários salões, e que encontrou formaldeído no ar quando os cabeleireiros usavam produtos para alisar os cabelos. A Agência Americana descobriu que os proprietários e cabeleireiros que usavam esses produtos não sabiam que os produtos para suavizar os cabelos continham ou poderiam expor os trabalhadores ao formaldeído porque os fabricantes, importadores e distribuidores não inclua os avisos de perigo corretos na etiqueta do produto ou na FISPQ. 

https://www.osha.gov/SLTC/formaldehyde/hazard_alert.html

 

A principal advertência que deveria constar no rótulo dos produtos a base de formaldeído é "risco potencial de câncer".

Então, eu respondo esta informação com uma pergunta! 

Será que algum profissional ou cliente teria “coragem” de comprar e utilizar algum produto cosmético com esta menção no rótulo?

Aí esta a resposta para tanta enganação no mercado, em uma área da nossa indústria, tradicionalmente marqueteira e que “inova” e sobrevive a base de falsas alegações e atributos enganosos aos produtos fabricados. 

 

EFEITOS NA SAÚDE: A EXPOSIÇÃO AO FORMALDEÍDO PODE CAUSAR CÂNCER?

O relatório sobre agentes cancerígenos, preparado pelo Programa Nacional de Toxicologia, lista o formaldeído como um carcinogênico humano conhecido em seu Relatório sobre Carcinógenos (2011). O formaldeído foi listado pela primeira vez no relatório em 1981 como razoavelmente previsto para ser um carcinógeno humano com base em evidências suficientes de estudos em animais experimentais. Desde então, foram publicados estudos adicionais sobre o câncer em humanos, e o status da lista foi alterado para conhecido como cancerígeno em 2011.

Um relatório da Academia Nacional de Ciências Americana em 2014 endossou a lista de formaldeído da NTP como um conhecido agente cancerígeno humano.

Reduzir a exposição a agentes causadores de câncer é importante para a saúde pública e o Relatório sobre Carcinógenos fornece informações importantes sobre substâncias que apresentam risco de câncer. Uma listagem no RoC, por si só, não significa que uma substância cause câncer. Muitos fatores, incluindo a quantidade e a duração da exposição, e a suscetibilidade de um indivíduo a uma substância, afetam se uma pessoa desenvolverá câncer ou não.

Aí esta o grande perigo a saúde dos profissionais cabeleireiros, devido ao tempo de exposição ao produto, normalmente, aplicado com frequência diária e mais de uma vez durante o mesmo dia. 

NIH – National Institute of Environmental Health Sciences

https://www.niehs.nih.gov/health/topics/agents/formaldehyde/

 

Vamos aderir ao conhecimento científico e as verdadeiras inovações tecnológicas! 

Apoiar empresas dedicadas a proteção da saúde do consumidor e dos profissionais.

Respeito a vida!

abraço,

Junior Diego Becker (BECKER, J. D.)

Químico, Engenheiro Químico, Tricologista, Especialista em Cosmetologia e Engenheiro de Produção.

Palavras chave: formaldeído, alisante capilar, escova progressiva, cosmético cancerígeno. 

 

 

11/11/2019 - Queda de cabelo 

OS FITOQUÍMICOS DERIVADOS DE PLANTAS PODEM ALIVIAR OS SINTOMAS DA PERDA DE CABELO?

 

Sabe-se que distúrbios do crescimento capilar e perda de cabelo podem causar sofrimento pessoal e afetar o bem-estar. Embora as condições clínicas continuam sendo alvo de pesquisas médicas, as pesquisas atuais sobre a biologia folicular e os mecanismos de controle do crescimento capilar também oferecem oportunidades para uma série de intervenções não médicas e cosméticas, que têm um efeito modulador na função do couro cabeludo e dos folículos.  Como os fitoquímicos são uma escolha popular devido ao seu apelo tradicional e natural, resolvi fazer esta revisão para fornecer uma avaliação crítica da evidência disponível de sua atividade para o benefício do cabelo.

Para quem tiver interesse, basta clicar sobre o link que remeterá ao Artigo na íntegra, onde eu aprofundei um pouco mais o tema. 

 

INTRODUÇÃO

Essa consideração dos fitoquímicos para o benefício capilar requer uma apreciação da organização estrutural dos folículos capilares e do contexto dos estágios do ciclo de crescimento capilar. Isso pode estar relacionado às patologias mais comuns do crescimento dos fios, bem como às condições não patológicas de queda de cabelo que ainda podem aumentar a necessidade percebida de tratamentos não farmacológicos temporários. 

 

REVISANDO

folículo piloso é um mini órgão da pele, que se estende da epiderme até a derme inferior e, vai alargando-se para um bulbo na extremidade inferior. Fechada pelo bulbo folicular, está a papila dérmica, que consiste em células de fibroblastos. A parte inferior desta papila é cercada pelo bulbo capilar contendo queratinócitos da matriz capilar. Durante os períodos ativos de crescimento capilar, os queratinócitos proliferam e as células são "empurradas" para cima, enquanto sofrem diferenciação e queratinização específicas. Isso resulta na formação dos três compartimentos estruturais da fibra capilar: medula, córtex e cutícula. A parte interna do folículo desempenha papel na modelagem da fibra capilar e na  externa, que contém células-tronco, desempenha papel ativo no início dos ciclos de crescimento capilar. Os melanócitos estão localizados na matriz do bulbo que cobre a papila dérmica, onde estão produzindo melanina ativamente no crescimento capilar. Durante os períodos de crescimento ativo do cabelo, os melanócitos produzem melanossomos que são distribuídos dentro das proteínas das células corticais para proporcionar a variedade da cor do cabelo. Um couro cabeludo humano saudável contém entre 100.000 e 120.000 folículos pilosos.

 

CICLO DE CRESCIMENTO DO CABELO

É amplamente aceito que o folículo sofre quatro fases, resultando na produção de uma fibra capilar (anágena – dura de 2 a 6 anos, a uma taxa média de crescimento 1cm/mês), regressão (catágena), repouso (telógeno – dura de 8 a 12 semanas) e perda de fibras (exógeno).

 

CONDIÇÕES DE PERDA DE CABELO

Propõe-se que 'perda de cabelo' ou 'desbaste' é uma percepção multifatorial da densidade do cabelo, diâmetro da fibra, cor do cabelo e grau de curvatura, que juntos contribuem para a percepção geral da cobertura do couro cabeludo. A perda de cabelo inclui alopecia mediada por andrógeno (AGA), bem como a queda de cabelo difusa na coroa, mais típica da perda de cabelo de padrão feminino. A conversão da testosterona no metabólito mais ativo dihidrotestosterona é catalisada pelas enzimas citoplasmáticas 5α-redutase nas células da papila dérmica. Entende-se que a inibição da 5α-redutase melhorará significativamente o AGA e a finasterida e a dutasterida surgiram como drogas de crescimento capilar que inibem essa enzima.

A perda de cabelo que não é atribuível imediatamente à ação dos hormônios, inclui distúrbios auto-imunes, como a Alopecia Areata (AA), e distúrbios inflamatórios do couro cabeludo, como a Alopecia Cicatricial (CA), que também resulta em perda permanente de cabelo. 

A queda de cabelo associada ao envelhecimento (alopecia senescente) preocupa as pessoas mais velhas, enquanto a queda de cabelo devido ao estresse mecânico excessivo no folículo piloso (alopecia por tração) é comum em pessoas com cabelos muito encaracolados que adotam estilos que envolvem tranças apertadas. A saúde precária do couro cabeludo, como a caspa e a dermatite seborreica, também pode ser associada a perda temporária dos fios.  

 

FITOQUÍMICOS PARA TRATAMENTO DA QUEDA DE CABELO

Os fitoquímicos são frequentemente a opção procurada no tratamento da perda de cabelo devido ao apelo que tais ativos mantêm com o consumidor, paciente clínico e seu status de não-medicamento. Além disso, muitos fitoquímicos são reconhecidos por seu papel nos tratamentos tradicionais baseados em plantas das condições de pele e cabelo, e um leque de literatura científica relacionada às suas aplicações medicinais. As substâncias que possuem alguma atividade biológica para o folículo piloso, células da papila dérmica e/ou dados clínicos in vivo, exponho resumidamente abaixo: 

 

CAFEÍNA

A cafeína é um alcalóide da purina, derivado de várias fontes, incluindo grãos de café, folhas de chá e de cacau e noz de coca. A cafeína tem o efeito de reduzir a microinflamação e estimular a proliferação celular. Esses mecanismos são relevantes para a modulação do crescimento capilar. Além disso, a atividade antioxidante da cafeína, através da eliminação de radicais hidroxila e alcoxila, é relevante para manter o couro cabeludo saudável e estimular o crescimento do cabelo.

 A cafeína é o fitoquímico mais estudado para prevenir a perda de cabelo e os vários estudos relatados oferecem evidências razoáveis ​​de que, quando administrada adequadamente, a cafeína estará presente nos folículos em níveis que apoiam suas atividades biológicas e, por um período de tempo suficiente, resultando na redução da perda dos fios.  No entanto, para aplicações cosméticas, cada nova formulação exigirá testes clínicos e de consumidor com parâmetros apropriados para evitar generalizações sobre os benefícios da cafeína para o paciente ou consumidor com perda de cabelo. 

 

POLIFENÓIS

Os polifenóis são um grupo de moléculas bioativas de ocorrência natural usadas em uma ampla gama de produtos terapêuticos devido aos seus efeitos promotores de saúde. Os polifenóis protegem as plantas de diferentes estresses bióticos e abióticos (radiação UV e peroxidação lipídica) devido à sua capacidade de eliminar os radicais livres. Apresentam uma oportunidade interessante no setor de crescimento capilar, pois são potentes antioxidantes e agentes anti-inflamatórios. 

A epigalocatequina-3-galato (EGCG), uma catequina polifenólica integral do chá verde (Camellia sinensis L.), possui propriedades antioxidantes bem documentadas. O EGCG aumentou o alongamento do folículo piloso em até 123% em comparação com o meio de crescimento de controle, além de sugerir uma potencial eficácia no cuidado do couro cabeludo.

Foi relatado que outro fitoquímico polifenólico, procianidina B‐2 isolado do suco de maçã ( Malus pumila), melhora a perda de cabelo em homens, com base em suas propriedades antioxidantes e anti-inflamatórias.

Em estudos que examinaram os efeitos potenciais de polifenóis de outras fontes vegetais, Shin et al testaram polifenóis purificados da Ecklonia cava (Ec), provenientes de algas marinhas marrons. O extrato do trevo vermelho (Trifollium Pratense) também provocou redução da resposta inflamatória em um estudo clínico piloto. Em outro estudo, uma mistura de ervas (incluindo camomila e urtiga) reduziu a apoptose e aumentou a viabilidade celular em humanos saudáveis. 

O extrato de trevo vermelho; cetonas de framboesa (raspberry ketone); capsaicina de pimenta vermelha; óleo essencial de alecrim; suco de cebola; saw palmetto; e urtiga/camomila se mostraram promissores e eficazes contra queda de cabelo.

extrato de ginseng vermelho contém uma variedade de constituintes bioativos. Um grupo de saponinas, também conhecidas como gingsenosídeos, foi testado quanto ao seu potencial para promover o crescimento do cabelo e a capacidade geral de prevenir danos oxidativos nas células.

 

FITOTERÁPICOS ORAIS

A demanda por tratamentos não medicinais de condições leves e relacionadas à idade da perda de cabelo se presta a abordagens mais holísticas, incluindo tratamentos ingeríveis. Um pequeno número de tratamentos in vivo baseados em suplementos orais de perda de cabelo foi relatado até o momento na literatura e, de maneira semelhante aos estudos clínicos de tratamentos tópicos, a robustez dos métodos e dados é variável. 

A capsaicina e a isoflavona por via oral melhoraram a contagem total de cabelos em um estudo duplo cego com placebo , incluindo pacientes com AA, AT e AGA. O Saw Palmetto (Serenoa repens) foi testado em relação ao tratamento oral com finasterida em pacientes com AIG, sendo o crescimento de pêlos na área do vértice comparável ao fármaco. Em outro estudo, o saw palmetto e o β‐sitosterol melhoraram a densidade capilar. O óleo de semente de abóbora, contendo fitoesteróis foi testado em pacientes do sexo masculino com AIG. O grupo ativo demonstrou aumento estatisticamente significativo na contagem de cabelos (densidade) em comparação com o placebo . 

Os suplementos alimentares podem fornecer tratamentos alternativos à perda de cabelo em homens com AIG menos grave, bem como mulheres que percebem perda de cabelo semelhante devido a fatores de vida.

 

DISCUSSÃO

A complexidade do folículo piloso e seus processos de autorregulação, incluindo a importância do suprimento sanguíneo, do ambiente neuroendócrino e dos estágios do ciclo capilar, sugerem que é provável que uma mistura de compostos, direcionada a mais de um processo, seja mais eficaz. Evidências adicionais dos efeitos positivos de alguns ativos na proliferação de HKC e / ou eficácia antioxidante, que ampliam o leque de estratégias para conferir condições ideais para o crescimento saudável do cabelo, são promissoras, mas até agora escassas.

Alguns fitoquímicos (capsaicina, framboesa cetona, suco de cebola) foram identificados como estimuladores dos nervos perifoliculares, induzindo reação imunológica e competição antigênica, oferecendo possíveis tratamentos alternativos de AA.  Cafeína, compostos fenólicos e fitoesteróis são, portanto, as escolhas preferidas para a perda de cabelo androgênica, conforme evidenciado pela literatura disponível.

Concluindo, pode-se observar que é incomum estudos da epiderme do couro cabeludo e a derme de pessoas que sofrem de queda de cabelo. A pele do couro cabeludo é exposta a uma variedade de fontes exógenas de estresse oxidativo, sensibilizadores e irritantes - radiação solar, poluição, água e produtos de limpeza - portanto, a perda da integridade estrutural da barreira cutânea do couro cabeludo pode estar contribuindo para a regulação do ciclo de crescimento capilar, com curtos períodos de excesso de derramamento observados com caspa. Estudos não invasivos, como perda de água transepidérmica (TEWL) para integridade da barreira cutânea do couro cabeludo, vermelhidão e peroxidação lipídica da pele, como proxy para níveis de inflamação, bem como dados de biópsia da morfologia geral da pele, cabelo do couro cabeludo, poderiam revelar informações complementares extremamente úteis.

 

Quaisquer dúvidas ou sugestões para o próximo assunto a ser abordado, podem ser enviadas para NG de France através do email de contato da empresa ou via mensagem pelo facebook ou instagram. 

 

Junior Diego Becker (BECKER, J. D.)

Químico, tricologista, especialista em cosmetologia e engenheiro de produção.

Palavras chave: alopecia, folículo piloso, queda de cabelo, tratamento capilar, fitoquímicos.